sexta-feira, 19 de agosto de 2011

30 ANOS DO SBT: UMA TRADIÇÃO EM PROGRAMAS INFANTIS


Completando 30 anos de vida, o SBT segue em frente apostando em uma programação popular que sempre foi a cara da emissora desde o início, em 1981,quando ainda era apenas a "TVS".
Naquela fase, a emissora já nascia de olho em um filão específico: o infantil. O "Show do Bozo" foi a primeira atração da casa dedicada às crianças. O Bozo, para quem não sabe, era uma franquia do personagem criado em 1946 nos EUA - Bozo, the Clown. Fez tanto sucesso entre as crianças brasileiras que permaneceu durante toda uma década no ar, alegrando uma geração de crianças que cresceu ouvindo seus sucessos e acompanhando suas brincadeiras via telefone pela televisão.


As várias caras de um mesmo personagem

O programa do Bozo já era transmitido pela TVS - canal carioca de Sílvio Santos - e pela paulista TV Record, desde 1980. Mas foi no SBT, a partir de 1981, que o palhaço dominou as manhãs, permanecendo ininterruptamente no ar, até 1991.
Por baixo da fantasia do palhaço, vários atores deram vida ao personagem: Wandeco Pipoca, Luís Ricardo - que até hoje é o garoto-propaganda da Tele-Sena, divulgada pelo SBT -, Arlindo Barreto, Marcos Pajé e Décio Roberto.
E o Bozo fez tanto sucesso que gerou até "spin-offs". Os coadjuvantes do palhaço eram os personagens Salsi Fufu (Pedro de Lara, falecido em 2007), Papai Papudo (Gilberto Fernandes, falecido em 2010) e a espalhafatosa Vovó Mafalda (Valentino Guzzo, falecido em 1998). Com o fim do programa do Bozo, no início dos anos 90, a Vovó Mafalda terminou encarregada de comandar os infantis matinais na emissora. Toda uma geração de crianças cresceu assistindo àquela estranha porém carismática apresentadora - um homem travestido de "velhota", cujo nariz era um morango - comandando uma sequência de desenhos memoráveis, a "Sessão Desenho", muito queridos do público desde os tempos do Bozo.



Uma longa tradição em programas infantis

Mas naquela altura, o Bozo e seus amigos já estavam antiquados e não rendiam mais à emissora o mesmo sucesso de uma década atrás. Com o retumbante sucesso de Xuxa Meneghel apresentando o infantil "Xou da Xuxa", na Globo, Sílvio Santos logo bolou algumas rivais para a loira gaúcha.


Assim surgiu a baiana Mara Maravilha, que estrelava o infantil "Show Maravilha", a partir de 87. Na sequência, Sílvio contratou também a cantora mirim Simony, ex-Globo, que passou a apresentar o matinal "Do-Ré-Mi-Fá-Sol-Lá-Simony". E a partir de 1989, entrou no ar a primeira loira infantil do SBT: Mariane.
Já na década de 90, as loiras pós-Xuxa continuaram surgindo: Eliana, que se notabilizou com seus "dedinhos", no comando do "Festolândia", em 1992 e, mais tarde, ao lado do computador Flits, no "Bom Dia & Cia.". Jackeline Petikovic também comandou o programa, em 1998, quando Eliana se transferiu para a Record.


Angélica também fez uma rápida passagem pela emissora, comandando atrações como o "Casa da Angélica", "TV Animal" e "Passa ou Repassa". Apesar de ter surgido e alcançado o estrelato na Rede Manchete, a loirinha da pinta na perna deixou sua marca no canal 04 de São Paulo e ajudou a construir parte da história de sucesso da programação infanto juvenil do SBT.
Hoje, praticamente todas essas apresentadoras citadas acima sumiram do mapa, com exceção de Eliana - que se reinventou, abandonou o público infantil e retornou ao SBT, onde apresenta atualmente seu dominical "Eliana". O mesmo se passou com Angélica, que hoje brilha na telinha da Globo no comando de programas voltados para o público adulto.


A grande aposta da casa no filão infantil nos dias de hoje é a menina Maisa, de nove anos de idade. Ela estreou no SBT aos cinco, em 2007, com o "Sábado Animado", e já teve até participação fixa no "Programa Sílvio Santos", contracenando com o patrão.
Completando o quadro dos programas infantis da emissora, vale lembrar a incursão de pelo menos um apresentador masculino nesse grupo: o endiabrado Sérgio Mallandro, que comandou o infantil "Oradukapeta", entre 87 e 90.

O México é aqui!

Apesar de produzir dramaturgia própria em diversas fases, os maiores sucessos do SBT na área da ficção sempre foram os enlatados - e, basicamente, os mexicanos.
Já em 83, ao importar a novela "Os Ricos Também Choram", a emissora conquistou boa audiência e abriu um filão que exploraria à exaustão nas décadas seguintes. "Chispita", também mexicana, exibida em 84, foi outro hit do SBT. O auge novelístico da casa com os enlatados xicanos, porém, só viria em 1991: "Carrossel" foi um estouro nacional, superando até a novela que a Globo exibia no mesmo horário: "O Dono do Mundo", de Gilberto Braga.



Da noite para o dia, pessoas de todas as idades passaram a sintonizar a simplória novela cujo roteiro mostrava os conflitos de crianças, alunos da Escola Mundial, comandados pela inesquecível Professora Helena (interpretada pela belíssima atriz Gabriela Rivero). A intérprete da professorinha mais famosa das telenovelas chegou a vir ao Brasil em 1991 e a descer a rampa do Planalto, em Brasília, ao lado do então Presidente Fernando Collor de Mello.
A importância de "Carrossel" para o SBT é tamanha que a emissora decidiu produzir um remake próprio da trama infantil. Os testes de elenco já estão acontecendo, e o resultado estará no ar em 2012.


Para encerrar, o inevitável: "Chaves". O humorístico estreou no México em 1971, mas em nenhum outro lugar do mundo obteve tanto sucesso quanto no Brasil. O SBT estreou a atração em 1984 - ou seja, são 28 anos no ar! Todos os episódios adquiridos pela emissora de Sílvio Santos já foram reprisados à exaustão, em todos os horários possíveis - manhã, tarde, noite, e até de madrugada - sempre recuperando para a casa consideráveis pontos na audiência.
Mesmo se tratando de episódios repetidos e de péssima qualidade técnica, uma legião de fãs ensandecidos continua assistindo fielmente ao programa, dizendo os diálogos de cor e salteado e esperando as deixas para dar as mesmas risadas de há tanto tempo. Não obstante, "Chaves" já foi usado até para combater a concorrência da Globo e, em muitas ocasiões, venceu, provando que o público brasileiro é realmente fiel e apaixonado pelo seriado de Roberto Gomez Bolaños.
Em 2006, o SBT ameaçou tirar o seriado do ar mas, diante das enfurecidas reclamações do público, voltou atrás, e "Chaves" continua fazendo a alegria de baixinhos e altinhos até hoje - para nossa sorte! - na telinha do homem do Baú.



30 anos superanimados!

E é claro que, encerrando nossa matéria de homenagem ao SBT, não poderíamos deixar de falar dos desenhos animados que, ao longo dessas três décadas, ajudaram a alavancar a audiência dos inúmeros infantis levados ao ar pela emissora.
Foram tantas as personagens e os sucessos que fica mesmo difícil lembrar todos ou querer fazer uma relação completa deles. Assim que,  valendo-nos da santa tecnologia do YouTube, convidamos vocês a uma rápida viagem no tempo com os personagens de desenho animado que mais marcaram nossa infância junto à telinha do Sistema Brasileiro de Televisão.
Feliz aniversário, SBT!












1 comentários:

TH disse...

O SBT sempre foi a emissora que mais se dedicou ao universo infantil - em 93, eu lembro que das 7h da manhã às 13h30 a programação era toda destinada ao público infantil - Sítio da Vovó, Bom dia e Cia, Sérgio Mallandro, Chapolin, Chaves. Daí tinha o Cinema em Casa pra quebrar, mas logo depois vinha "A Casa da Angélica". Nenhuma outra emissora tinha esse recorde.

Muito bom saber detalhes de programas que não vi (o SBT só começou em Maceió em 91). Uma beleza de post, saudosista e rico nos detalhes...

PARABENS!

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