E que tal uma pequena pausa para curiosidades e interessantíssimas histórias sobre nossos queridos personagens da Vila mais famosa do mundo?
Pesquisar sobre Chaves é uma tarefa hercúlea, minha gente! São tantas informações, tantos dados, tantos episódios que é facinho facinho a gente se perder e ficar sem saber por onde seguir!
As informações separadas, aqui, tratam de curiosidades acerca do seriado e do elenco, com informações que certamente devem constar no questionário de todo e qualquer fã assíduo do programa!
Preparados para conhecer um pouco mais sobre o "programa número um da televisão humorística"?
Então vamos lá!
Malicha, a afilhada do Seu Madruga que veio substituir a Chiquinha.
Seu Madruga tinha um primo e uma afilhada no seriado!
A família de Seu Madruga não acabou quando faleceu o seu tio Jacinto, cuja morte rendeu ao nosso Madruga uma herança e tanto: um terno usado muito acima do seu tamanho! Chespirito, dessa vez por necessidade, criou dois personagens que se apresentaram como parentes do nosso querido Seu Madruga. O primeiro foi o Seu Madroga, um primo bem parecido com ele, que surgiu num episódio cancelado pelo SBT, cuja história é quase idêntica a um outro episódio (na verdade, uma versão posterior) em que Quico fica preso dentro de uma caixa de madeira. Madroga tem todas as características do Seu Madruga (que não participou desse episódio por motivos óbvios - leia adiante) e chegou, inclusive, a dar um daqueles cascudos no Chaves. Chespirito criou às pressas o Seu Madroga porque Ramón Valdéz teve problemas de saúde e por isso não pôde comparecer às gravações desse capítulo especificamente. O primo do Madruga, então, serviu para substituir o ator que faz o "vagabundo" original da vila.
Maria Luísa Alcalá interpretou a personagem Malicha (Malu, no Brasil), sobrinha do Seu Madruga.
Outro caso parecido é o de Malicha. Essa personagem aparece em apenas três episódios não exibidos no Brasil, e foi criada por Chespirito para substituir a Chiquinha, que havia saído do elenco em 1974 para gravar seu programa solo. Depois desse período, María Antonieta de las Nieves resolveu voltar ao Chaves e Malicha desapareceu do mapa (ou melhor, da vila!).
Quem tem inveja do Quico?
Quem será que conta a verdade? Segundo Carlos Villagrán, o Quico, seu personagem estava ganhando muito mais popularidade do que os outros e chegou a ser até mais querido que o próprio Chaves. Em entrevista, chegou ele a dizer que isso causou inveja nos outros atores da série, que tentaram diminuir seu papel no programa. Villagrán, então, não aceitou o boicote dos colegas e, revoltado, decidiu abandonar de vez a família Chaves. Já Chespirito diz que o que ocorreu não foi bem assim. Bolaños afirma que Carlos Villagrán simplesmente decidiu deixar o grupo para tentar seguir carreira solo num outro seriado. Chespirito disse que, quando Carlos lhe notificou a sua saída do elenco, ele simplesmente respondeu que ficasse à vontade para decidir, tivesse boa sorte e que, se acaso resolvesse voltar, seus amigos o receberiam no programa de braços abertos. Mas isso nunca aconteceu. Quico realmente virou personagem independente e, embora não tenha feito muito sucesso, não voltou ao Chaves. Como diria o Seu Madruga: "Força de vontade! Força..."
Falando no mimado filho de Dona Florinda...
Quico, Kiko, Kico ou Quiko? Pelas anteninhas de vinil do Chapolim Colorado, que confusão! Afinal, como se escreve o nome do personagem de Carlos Villagrán? Simples: Quico é o nome do personagem criado por Chespirito. Quando Carlos Villagrán deixou o elenco para ter seu próprio programa solo, registrou o nome Kiko. Portanto, Quico é o garoto que vive na vila do Chaves, e Kiko é o personagem de Carlos Villagrán em seus programas solo - alguns capítulos deles até passaram no Brasil há um tempo, pela TV Bandeirantes.
Pópis fez com que Chaves perdesse um telespectador!
A sobrinha da Dona Florinda, pudera, fez com que Chespirito perdesse um fiel telespectador e lhe causasse um certo arrependimento. Quando criou a parsonagem Pópis, a menina mimada, tonta e com voz fanha, jamais Roberto Gómez Bolaños pensou que poderia causar um problema na vida de um menino que, fanho como a Pópis, passou a ser ridicularizado pelos seus coleguinhas da escola. O pai do garoto, indignado, enviou uma carta a Chespirito dizendo que jamais voltaria a assistir seus programas por tal motivo. Arrependido, Chespirito cancelou a segunda personagem de Florinda Meza por um ano. Depois desse período, a Pópis voltou a aparecer nos capítulos de Chaves, só que com voz normal. O curioso é que, no Brasil, a Pópis foi dublada com voz normal, só um pouco fina, no começo - quando deveria ser fanha - e, depois, foi dublada com fanhez - quando deveria ser dublada com voz normal. Mas voltando ao pai indignado, até hoje não se sabe se ele realmente deixou de assistir aos programas de Chespirito ou não resistiu e cedeu à tentação. Ah, conta tudo pra sua mãe, Roberto!
O episódio do cinema tem algo de especial...
É verdade que todo episódio, seja de Chaves, Chapolin ou qualquer outro programa de Chespirito, sempre tem algo de especial, diferente, marcante. Mas o episódio de Chaves em que todos vão ao cinema assistir ao filme do Pelé possui algo ainda mais especial. É que esse foi o primeiro episódio filmado depois que Quico deixou de vez o elenco do seriado. Neste capítulo, Dona Florinda diz ao Seu Madruga que "Quico foi morar com as tias ricas", pois isso ajudaria na sua educação. Esta foi a explicação que Chespirito deu, no seriado, para o repentino sumiço do personagem. Pode-se ver no rosto da personagem de Florinda Meza uma certa tristeza; ou seja, ela deu mais força à explicação de Chespirito, auxiliando o andar do roteiro. Realmente todos deveriam ajudar, pois fica difícil imaginar como uma mãe totalmente coruja como a Dona Florinda tivesse resolvido "entregar" seu filho a uma irmã (ou cunhada), mesmo sabendo que isso seria para um melhor futuro de seu xodó.
Sem cultura é a sua avó!
Ainda há quem diga que Chaves e Chapolin são programas idiotas que não acrescentam nada a ninguém. É certo que ambos são seriados de humor cujo objetivo principal é entreter o público, mas é errado dizer que os programas não têm cultura. Chespirito, pode-se perceber claramente, é um homem de bastante cultura e acaba passando-a para seus programas. Ele já parodiou personagens clássicos da literatura mundial como Fausto de Goethe, Dom Quixote e Guilherme Tell, além de personagens bíblicos como o Rei Salomão, personagens históricos como Cristóvão Colombo, Cleópatra e Júlio César, filmes clássicos como Cantando na chuva, humoristas mundialmente prestigiados como Charles Chaplin e o Gordo e o Magro, personagens de contos de fadas como Branca de Neve, o Alfaiate Valente e muitos outros! Para se fazer uma paródia decente, é necessário que se conheça a fundo o assunto a ser parodiado. E se ele conhecia a fundo tantas coisas assim, dos mais variados compos, desde a História até a Bíblia, passando pela Literatura, pelo Cinema etc., podemos concluir somente uma coisa: o homem é culto para caramba!
E como eram feitas as bochechas do Quico?
Extra! Extra! Carlos Villagrán não é bochechudo, não! E tampouco usava algodão dentro da boca para ficar com aquelas bochechonas do Quico. Sabe o que acontece? É que Carlos Villagrán tem um problema raro na face: ele consegue inflar as bochechas e fazê-las parecerem inchadas. E pode falar normalmente fazendo isso, só não pode comer. Por quê? Porque se ele come com a bochecha "cheia", a comida cai no "buraco" que fica nas laterais da boca. Numa de suas vindas ao Brasil, em entrevista ao Programa Livre, de Serginho Groisman, Carlos Villagrán demonstrou à plateia presente que não usava enchimentos na boca e que também não tinha as bochechas grandes! Era tudo somente uma questão de utilizar-se habilidosamente de um defeito físico!
E, a propósito, como surgiu o Quico?
Em 1971, Chespirito disse a Carlos Villagrán que escolhesse um traje de criança, pois ele interpretaria o personagem Quico. Carlos encontrou o traje de marinheiro, mas não queria se parecer com um outro personagem mexicano de humor, Chabelo, famoso na época. (Em tempo: no ano de 1994, Chabelo chegou a fazer, com María Antonieta de las Nieves, o programa La Chilindrina en apuros.) Então, Villagrán colocou aquele chapeuzinho e foi perguntar a Chespirito como ele deveria falar: com ou sem as bochechas infladas. Nem é preciso dizer que Chespirito o preferiu com as bochechas de "buldogue velho", não é mesmo?
E o sumiço da Chiquinha?
Entre os anos de 74 e 75, María Antonieta de las Nieves decidiu se separar do grupo e tentar uma carreira solo. Por isso vimos alguns episódios regravados e outros com gravação inédita sem a presença da personagem que ela interpretava, a Chiquinha. Mas o que talvez ninguém saiba é aonde ela foi se meter. Erra quem acha que ela foi tentar um seriado humorístico solo, como fez Carlos Villagrán. Não, María Antonieta só fez isso depois, bem depois, na década de 90. Naquela época, entre 74 e 75, quando deixou o elenco de Chaves e Chapolin, nossa querida Chiquinha foi trabalhar no Canal 13 do México, apresentando um programa de variedades que ela mesma conduzia e que se chamava Pampa pipitzin. Não obteve muito êxito e logo voltou aos seriados que lhe deram fama.
Uma trajetória e tanto!
O programa Chaves foi transmitido ininterruptamente por toda a década de 70, de 80 e até de 90, mas, em seus últimos anos, sofreu uma triste perda de qualidade e, conseqüentemente, de audiência. De fato, a grande maioria dos capítulos que se transmitem na América Latina correspondem aos programas gravados nos anos 70 e no início dos anos 80, quando estava em seu ápice de popularidade. Em meados dos anos 90, vários protagonistas do elenco saíram por problemas de saúde (Raúl Padilla, Angelinez Fernández, Edgar Vivar), as cenas se tornaram lentas e o humor, mais léxico que visual.
O envelhecimento de Roberto Bolaños, com quase 70 anos naquela época, não colaborava para que ele continuasse com o papel de Chaves, até porque as câmeras evitavam closes e os capítulos foram reduzidos a espaços dentro do programa semanal Chespirito. Esta fase dos seriados, nós vimos aqui no Brasil no programa Clube do Chaves. O último capítulo gravado de Chaves foi em 1995, fato que fechou a história de um dos programas mais transcendentais da televisão humorística latinoamericana. Assim, Chespirito cancelaria todos os seus personagens interpretados por si próprio para se dedicar como produtor, escritor e ator de teatro.
A ilusão deve permanecer
Há algum tempo, quando Chespirito foi entrevistado no programa Show de Cristina, apresentadora que fazia alguns programas especiais no México, o humorista contou uma história curiosa: em uma certa viagem que fez à Colômbia com todo o elenco do programa Chaves, estavam visitando alguns sítios turísticos e viajavam de ônibus. Em uma parada, um garotinho que vendia doces subia em todos os ônibus para vender sua mercadoria. Quando entrou no ônibus em que estavam os atores, ficou paralisado ao ver Chespirito. No mesmo instante, o garotinho pegou todas as moedas que estavam em seu bolso e entregou ao "Chaves", dizendo: "Tome, para que compre o seu sanduíche de presunto"; Roberto Bolaños ficou espantado diante da atitude do pobre menino e aceitou o dinheiro, emocionado: não quis que a ilusão daquela criança acabasse.
Nossa fonte: Chaves Online






















































